Manuela perdida em pensamentos adentrava terrenos por onde já havia deixado seu pensamento correr. Caminhava em direção a sua casa de forma mecânica, anos e anos do mesmo caminho lhe asseguravam a tranqüilidade para fazê-lo de olhos fechados. Já nem via mais as árvores marcadas pelos artistas de rua, nem mesmo as crianças que no parque gritavam. Pensava em algo mais profundo do que o ambiente que a rodeava. Em sua cabeça entre as milhares de cores e movimentos letargicamente distorcidos, não condizentes com os seus próprios, havia a busca do belo.
Mas para essa jovem, o belo não era algo que conceitos tão simples como os da filosofia ou os das nossas formas de arte poderiam abarcar com facilidade... O belo era algo mais interior, mais visceral, a ligação com o divino saída direto do estomago, passando pelos intestinos, subindo para a cabeça e saindo (nem sempre) pela boca.
Com certa letargia começava levemente a abrir a boca, sua língua começava a retomar os movimentos... Mas uma mão agarrou seu ombro, tirando-a do transe. Não era uma mão amiga, nem uma mão bela. Passaram-se alguns segundos até que se desse conta que realmente havia outra pessoa ali. O desconhecido a olhava com olhos de pedinte, mas não parecia desejar dinheiro, o olhar submisso explicitava o sofrimento de uma vida de 50 anos desperdiçada. Apesar da boca do homem não se mover, sua mensagem era clara.
Não se pode dizer se Manuela a compreendeu ou não, mas sua caminhada retornou ao rumo que seguia, com a diferença de algumas esquinas que não foram, tradicionalmente, dobradas. Dessa vez olhava atentamente o caminho.
domingo, 2 de novembro de 2008
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2 comentários:
Minha Manuela refaz o caminho devagarzinho, procurando a chave que perdeu, sem saber que já havia passado por ali..
Manuela te medo ainda, mas destavez ela se sente mais forte. Você sabe, a manuela que eu falo não está totalmente no texto.
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