sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Seco

Sonhei esta noite. Foi um sonho estranho, me trouxe lembranças antigas e nada boas. No sonho eu era uma arvore, e assistia a minha vida até o momento atual, vi todos os meus fracassos, passaram por de baixo de mim. De uma maneira estranha, aquela situação me era confortável. Sabia que era eu o fracassado, mas a perspectiva que eu tinha me aliviava, como se aquele não fosse eu. Sentia um conforto doentio. Acordei sentido uma náusea e cheiro de sangue na minha boca. Seria esse um daqueles maus agouros que se morriam de medo os antigos? Tanto faz se for agouro ou não, a única coisa que realmente me incomodou foi o suor. Realmente odeio acordar suado. A necessidade do banho logo após levantar, me deprime profundamente.
E dessa forma começava mais uma segunda-feira monótona, mal cheirosa, cheia de pessoas desagradáveis com comprimentos desagradáveis, com expressões falsamente desagradáveis. Na fábrica as buzinas anunciavam o início do expediente. Batia o cartão e ia para minha função dirigir uma maldita empilhadeira. Reclamo dela, mas sou obrigado a admitir que era mais amiga do que muita gente, apesar de só ter vida quando eu me posiciono em seu assento, me entendia melhor que qualquer um.
Acabado o expediente, nada me aguarda alem do bar, e a cadeira onde me sento dia após dia, onde desconfio ter minhas nadegas gravadas , como um famoso na calçada da fama. Peço o de sempre, pinga pura e alguns amendoins. O salgado e azedo do amendoim me secam a boca. Sedento, tomo a pinga que desce queimando goela abaixo.
E nesse ponto meu sonho passa a ter algum significado, a resposta que muitos não encontram numa vida, ou como diriam alguns mais frescos, tive uma epifania. A arvore que observa as coisas de cima, a arvore eu, está seca, aguardando o momento de tombar, bebendo a secura da pinga, do meu “poderia ser”, da crueza do patrão e da crueza própria...
O único consolo que me traz a aguardente, é que não terei de lembrar... amanhã começa de novo... eu tenho que ir trabalhar....

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Urna

Mar tá pra peixe?
vem cá sabe? sei não...
Geraldo que deve sabe.
- Não, cá sei que mar tá não...